Em 2026, a sustentabilidade já não se resume a objetivos de descarbonização ou a compromissos climáticos a longo prazo. De acordo com o relatório «Top 10 Sustainability Trends to Watch in 2026», publicado pela S&P Global (janeiro – março de 2026), as empresas têm agora de lidar com uma realidade mais complexa: conciliar pressões imediatas, tais como a segurança energética, a inflação e a instabilidade geopolítica, com riscos estruturais relacionados com as alterações climáticas e a erosão da biodiversidade.
A S&P Global observa uma tendência para estratégias de sustentabilidade mais pragmáticas, centradas nos riscos e alinhadas com o desempenho económico, num contexto em que as regulamentações variam de região para região.
O clima está a agravar-se: a adaptação torna-se imprescindível
O relatório salienta que o mundo está a caminho de ultrapassar a meta de 1,5 °C estabelecida peloAcordo de Paris. Os fenómenos climáticos extremos, já mais frequentes e violentos, perturbam as cadeias de abastecimento, danificam as infraestruturas e fragilizam os sistemas alimentares.
O relatório indica que os investimentos na adaptação às alterações climáticas irão acelerar significativamente, uma vez que a resiliência se torna um imperativo estratégico, deixando de ser uma vertente secundária da RSE.
Fragmentação geopolítica: um grande desafio para as multinacionais
Uma das principais conclusões do relatório é o aumento do multirregionalismo. As grandes economias estão a seguir trajetórias divergentes em matéria de transição energética, de relatórios ESG e de políticas industriais. Esta fragmentação aumenta os custos de conformidade e complica a gestão de riscos para os grupos internacionais.
Neste contexto, as normas ISO, tais como a ISO 14001, a ISO 50001 ou a ISO 26000, tornam-se referências estáveis e universais para estruturar as iniciativas de sustentabilidade, apesar da heterogeneidade regulamentar.
IA: catalisador e obstáculo para a sustentabilidade
A inteligência artificial desempenha um papel ambivalente. De acordo com a S&P Global Energy, a procura mundial de energia dos centros de dados deverá aumentar 17 % em 2026 e, posteriormente, 14 % ao ano até 2030, atingindo mais de 2 200 TWh, o que equivale ao consumo atual de eletricidade da Índia.
Este crescimento exerce uma pressão considerável sobre as redes elétricas, os recursos hídricos e as trajetórias de emissões.
Paralelamente, a IA oferece oportunidades significativas: modelação climática, otimização logística, análise ESG. No entanto, o relatório adverte que os ganhos de produtividade associados à IA não compensarão a escassez de mão de obra resultante do envelhecimento demográfico.
Cadeias de abastecimento: as vulnerabilidades voltam a surgir
Apesar dos esforços pós-pandemia, o relatório constata um ressurgimento dos riscos na cadeia de abastecimento. As tensões geopolíticas, as políticas climáticas divergentes e os fenómenos extremos revelam novas fragilidades.
Para as organizações internacionais, isto reforça a necessidade de quadros sólidos, tais como:
- ISO 22301 (continuidade das operações),
- ISO 28000 (segurança da cadeia de abastecimento),
- ISO 9001 (qualidade e controlo operacional).
Água, biodiversidade e sistemas alimentares: riscos agora estratégicos
O relatório destaca o aumento dos riscos relacionados com a água, a biodiversidade e os serviços ecossistémicos. Os centros de dados com elevado consumo de água, as secas e a degradação dos solos tornam-se fatores críticos para a continuidade das atividades.
Estas tendências reforçam a importância de normas como:
- ISO 14001 (gestão ambiental),
- ISO 14046 (pegada hídrica),
- e os futuros quadros de referência para a comunicação de informações sobre o ambiente.
Financiamento sustentável: uma concorrência crescente pelo capital
O relatório salienta que as necessidades de financiamento sustentável irão disparar, ao mesmo tempo que os Estados devem também investir em:
- a defesa,
- a segurança energética,
- as infraestruturas digitais e a IA.
As empresas terão de demonstrar um desempenho sustentável credível, mensurável e verificável para atrair investidores.
O que é que isto significa para as organizações em 2026?
As conclusões do relatório são claras: 2026 é o ano em que a adaptação, a resiliência e a coerência estratégica se tornam os pilares da sustentabilidade.
As organizações de sucesso serão aquelas que:
- integram a adaptação às alterações climáticas na sua estratégia,
- baseiam-se nas normas internacionais para lidar com a fragmentação regulamentar,
- controlam a pegada ambiental da IA,
- reforçam a resiliência das suas cadeias de abastecimento,
- e comprovam a fiabilidade dos seus dados ESG.
Num mundo fragmentado, as normas tornam-se a linguagem universal da confiança.
Saiba mais :
- Certificação ISO 9001 - Sistema de Gestão da Qualidade
- Certificação QSE - Qualidade, Ambiente e Segurança
- Certificação ISO 14001 - Gestão Ambiental
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